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Qual a relação entre obesidade e doenças ginecológicas?

Uma pergunta bastante comum nas caixinhas de perguntas que abro lá no meu Instagram é sobre a relação entre a obesidade e as doenças ginecológicas.

Há, sim, uma relação muito próxima entre as duas e por isso que sempre recomendo que toda mulher, na verdade toda pessoa, independente de sexo, deve manter um peso ideal e um estilo de vida saudável.

O aumento das taxas de obesidade em todo o mundo teve um impacto profundo na saúde reprodutiva feminina. 

Além disso, a obesidade infantil está associada ao início precoce da puberdade, irregularidades menstruais durante a adolescência e síndrome dos ovários policísticos. 

Mulheres em idade reprodutiva com IMC alto têm maior risco de problemas ovulatórios e tendem a responder mal ao tratamento de fertilidade. 

Para explicar mais sobre essa relação entre obesidade e doenças ginecológicas, preparei o artigo a seguir. Confira!

A obesidade em mulheres

A obesidade é mais comum em mulheres e seu impacto na saúde (e de seus filhos) não deve ser ignorado. 

No entanto, é mais difícil para as mulheres perder peso. Na verdade, esta revisão de estudos randomizados e controlados descobriu que os homens tendem a perder mais peso do que as mulheres apenas com dieta e com dieta associada a exercícios. Mas por que?

Muitos fatores tornam a perda de peso uma luta difícil para as mulheres:

  • Metabolismo
  • Hormônios sexuais
  • Saúde mental
  • Comportamento

Embora não seja possível mudar o corpo feminino e como ele funciona, é útil entender todos os diferentes fatores em jogo.

Metabolismo

Em primeiro lugar, há uma desvantagem quando se trata de fisiologia. Os homens geralmente têm mais massa muscular, o que leva a um metabolismo mais alto.

Além disso, as mulheres têm concentrações mais altas de leptina, um hormônio que pode reduzir a ingestão de alimentos e o peso corporal. 

Pessoas com obesidade tendem a ter níveis mais elevados de leptina, mas não respondem a isso como esperado, o que é chamado de resistência à leptina

A diferença nos níveis de leptina entre os sexos pode ter algo a ver com o motivo pelo qual é mais difícil para as mulheres perder peso.

Hormônios sexuais

O próximo fator são nossos hormônios sexuais, como estrogênio e progesterona. Esses hormônios podem afetar a forma como o corpo armazena gordura ou nos diz quanto comer. 

Homens e mulheres têm hormônios diferentes, por isso não é surpreendente que as respostas do corpo aos alimentos e ao ato de comer também sejam diferentes. 

Um exemplo disso é como homens e mulheres engordam. Os homens tendem a ter mais gordura ao redor do meio, enquanto as mulheres têm mais gordura na parte inferior do corpo.

Outra diferença entre homens e mulheres é que os níveis de hormônio feminino passam por muitas mudanças ao longo da vida. 

Considere esses três cenários muito distintos durante a vida de uma mulher. Cada um pode ter um impacto significativo no seu peso.

  • Ciclos menstruais: os níveis hormonais mudam durante os ciclos menstruais das mulheres. Isso afeta a ingestão de calorias e o metabolismo. O efeito do estrogênio sobre outro hormônio chamado colecistocinina pode fazer você se sentir menos saciado. Altos níveis de progesterona podem fazer com que o corpo queime mais energia.
  • Gravidez: é normal ganhar peso durante a gravidez. Porém, ganhar muito peso aumenta o risco de manter esse excesso de peso vários anos depois.
  • Menopausa: após a menopausa, o corpo da mulher não produz mais estrogênio. Isso leva a uma distribuição de gordura diferente, com mais gordura ao redor de suas partes médias (como nos homens). As mulheres também tendem a perder massa muscular e ganhar gordura após a menopausa.

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Os efeitos no corpo da mulher

As evidências dos efeitos adversos da obesidade na saúde das mulheres são avassaladoras e indiscutíveis. 

A obesidade, especialmente a abdominal, é central para a síndrome metabólica e está fortemente relacionada à síndrome dos ovários policísticos (SOP). 

Mulheres obesas são particularmente suscetíveis ao diabetes. E o diabetes, por sua vez, coloca as mulheres em risco drasticamente aumentado de doenças cardiovasculares

Além disso, a obesidade aumenta substancialmente o risco de vários tipos de câncer nas mulheres, especialmente o câncer de mama na pós-menopausa e o câncer endometrial. 

Dessa forma, o sobrepeso e a obesidade estão associados a uma mortalidade elevada por todas as causas, tanto em homens quanto em mulheres, e o risco de morte aumenta com o aumento do peso. 

Como a obesidade afeta a SOP?

Um fator que contribui para o excesso de produção de andrógenos é a resistência à insulina. 

Quando o corpo produz insulina em excesso, isso pode levar à resistência à insulina, o que diminui a capacidade do corpo de usar a insulina de maneira adequada. 

Mas quando o corpo não consegue usar a insulina adequadamente, aumenta a produção de glicose, o que pode aumentar a produção de andrógenos pelos ovários. 

A resistência à insulina também pode levar ao ganho de peso e dificuldade para perder peso.

O ganho de peso aumenta o risco de hipertensão, diabetes tipo 2, apnéia do sono e doenças cardíacas. 

Quanto mais pesada você for, maiores serão os riscos para a saúde. Perder peso, mesmo apenas 5% do peso corporal, pode ajudar a reduzir os sintomas e riscos da SOP. 

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A busca por um estilo de vida saudável

Pode não ser fácil, mas o melhor caminho para toda mulher é buscar por um estilo de vida saudável. 

Portanto, pratique atividades físicas regulares, ter uma alimentação balanceada, e cuidar também da mente, são formas de conseguir reduzir o peso corporal e, como consequência, evitar as doenças ginecológicas.

Dessa forma, você também terá uma melhor qualidade de vida e sensação de bem-estar. E caso queira saber mais sobre essa relação entre obesidade e doenças ginecológicas, confira um vídeo que fiz sobre o tema no meu canal do Youtube.