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O que todo médico deve saber sobre SOP?

A síndrome dos ovários policísticos – SOP é extremamente comum.

Estatísticas dão conta que 10 a 15% das mulheres do mundo sofrem com a SOP.

Dessas 50% podem estar sem diagnóstico, afinal, ouvem que os sintomas da SOP são “normais”, como passar longos períodos sem menstruar, acne e queda de cabelo.

Assim, não recebem o tratamento adequado.

Além disso, entre 3 a 6% das mulheres com SOP tem maior chance de desenvolver o câncer de endométrio, e 7 vezes mais risco de cometer suicídio devido ao aumento dos riscos de desenvolver depressão e ansiedade.

Vamos ver, a seguir, tudo que o médico precisa saber sobre o tratamento da SOP.

Por que a mulher com SOP busca o ginecologista?

É muito comum que a mulher com SOP busque ajuda de um ginecologista quando apresenta os seguintes sintomas:

  • Longos períodos sem menstruação;
  • Seborreia;
  • Queda de cabelo;
  • Acne;
  • Hiperandrogenemia;
  • Múltiplos cistos nos ovários.

Ocasionalmente, ao se deparar com os cistos nos ovários em uma ultrassonografia transvaginal, a paciente fica estigmatizada.

Afinal, ela acredita que se tem cisto nos ovários tem SOP, como também a ausência deles indica a ausência da SOP. Nada disso é verdade!

Se a paciente apresenta esses sintomas e é prescrita apenas a pílula anticoncepcional, infelizmente, ela tem a ilusão que está curada da SOP, Os hormônios da pílula tendem a mascarar os sintomas, normalizando o aspecto da pele e reduzindo os pelos, por exemplo.

Porém, não está! Inúmeros trabalhos científicos respaldam o fato que o uso contínuo de pílulas anticoncepcionais anti-androgênicas estão associadas ao aumento da resistência insulínica, condição para desenvolvimento da SOP.

Mas, qual a causa da SOP?

Não existe uma causa exata que defina a SOP.

No entanto, sabemos que é causada por uma série de fatores que atuam em conjunto. Quando atuamos em cada um desses fatores, podemos melhorar os sintomas da paciente. Vamos abordar alguns deles.

Fatores genéticos

Diversos estudos relacionam genes que podem ser responsáveis pelo aparecimento da SOP, ou mais, a parte do cromossomo ser responsável pelo hiperandrogenismo, da resistência insulínica e deposição da gordura corporal.

Elementos que podem desenvolver a SOP em diferentes fases da vida da mulher.

A partir do estudo dos cromossomos, é possível prescrever a prevenção da SOP, inclusive, impedindo que a mulher antes de engravidar gere uma filha com propensão à SOP.

Apesar disso, sabemos que o papel da genética não é definitivo e pode ser modificada pelo estilo de vida através da epigenética, que determina a expressão dos genes.

Estresse oxidativo

O estresse oxidativo é apresentado por espécies reativas de oxigênio que levam à resistência insulínica: essa condição se retroalimenta. Sabemos que o excesso de insulina também contribui para que a mulher sofra com o acúmulo de gordura.

Não é por acaso que grande parte das mulheres com SOP estão com quadros de sobrepeso e obesidade.

Quando não é tratada adequadamente, a insulina desregulada leva à hiperinsulinemia compensatória.

Disbiose

O desequilíbrio da microbiota intestinal faz que o intestino deixe de ser escudo seletivo, responsável por blindar o organismo de microorganismos que podem causar algum mal. Também prejudica a absorção de vitaminas, nutrientes e outros elementos essenciais da dieta.

Além de permitir a passagem de endotoxinas que levarão ao estado de inflamação crônica subclínica, que pode gerar diversas outras doenças e repercutindo na resistência insulínica. Já falamos sobre a relação entre SOP e disbiose intestinal neste artigo.

Hoje, sabemos que estudos demonstram que cepas de probióticos quando utilizadas por determinado período de tempo nas pacientes com SOP auxilia a reduzir a resistência insulínica e o peso. Não entender de intestino, hoje em dia, é tratar a SOP de forma incorreta.

Como age a metformina no tratamento

Na maioria das vezes, essa é uma opção de custo baixo e acessível para as mulheres que sofrem com a SOP. Trata-se de um fitoterápico muito utilizado no tratamento de diabetes, no entanto, ainda é pouco popular entre as mulheres que tratam a SOP.

É um medicamento extremamente seguro e traz excelentes benefícios. Em primeiro lugar, não devemos ter medo de prescrever a metformina de forma correta.

É preciso avaliar a paciente em sua totalidade para avaliar se é possível indicar ao seu caso, se ela já usa outros medicamentos e se é possível aliar ao suplemento de outros elementos naturais. A metformina não provoca hipoglicemia, como muitos acreditam. 

A metformina é útil para aquelas que precisam agir para controlar o peso, mas também, às pacientes magras.

Seu mecanismo de ação é a ativação da proteína quinase pela adenosina monofosfato que vai em busca da produção de ATP para suprir a sua necessidade.Isso tudo gera um efeito de ativação da saciedade no cérebro, fazendo que a paciente tenha menos desejo por doces e carboidratos simples.

Além disso,a metformina melhora a resistência insulínica nos receptores das células, fazendo que diminua a taxa de gorduras e ajuda a conduzir a um peso saudável.

Um dos principais pontos da metformina é a sua atuação em nível intestinal, reduzindo a absorção de carboidratos e aumentando a produção dos hormônios da saciedade.

Também melhora a produção de bactérias de boa qualidade.

No fígado, a metformina inibe a produção de glicogênio, levando à diminuição da glicose hepática, da síntese de gordura e da síntese de colesterol.

Esse medicamento também é muito utilizado para diminuir triglicerídeos, contribuindo para a prevenção e diminuição da esteatose hepática.

57% das pacientes com SOP estão insatisfeitas com o tratamento da SOP

O perfil de tratamento conduzido atualmente, utilizando apenas anticoncepcional, traz grande insatisfação às mulheres com SOP. Em grande parte das vezes, essas pacientes não entendem a doença, afinal, são consultas muito rápidas onde o tempo é curto para tirar todas as dúvidas.

Hoje em dia, com a disponibilidade da informação nas redes sociais, cada vez mais pacientes chegam aos consultórios médicos discutindo sobre a doença. Considero esse quadro muito complicado, afinal, por aqui existem muitas informações desencontradas.

Eu falo todos os dias sobre SOP em minhas redes sociais, no entanto, sempre com o objetivo de orientar as pacientes e jamais de prescrever tratamentos.

Nossa função enquanto profissionais da saúde é estudar e atualizar os conhecimentos cada vez mais com objetivo de propor às pacientes leques de estratégias para atender às suas necessidades e demandas individuais.

É por isso que eu e meu colega, Dr. Sérgio Cabral, vamos ministrar o 2º Seminário da SOP nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro de 2021.

Acreditamos que é possível contribuir para que cada vez mais médicos tenham um melhor atendimento às suas pacientes, explorando melhor esse potencial.

Para fazer a sua inscrição 100% gratuita, basta clicar no botão abaixo:

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